De dedos cruzados

Por : Roberto Cavalcanti


CPI da Petrobrás caiu no colo de Hugo – por influência oculta do ministro Vital do Rego Filho – depois de uma lista de declinações.


Quem viu na última quinta-feira o jovem Hugo reagir com firmeza às agressões sofridas na abertura dos trabalhos da CPI da Petrobrás, deve ter se perguntado: de onde vem esta fortaleza?

O que sustenta este rapaz no enfrentamento (inarredável) aos ataques de um grupo que já enverga o paletó parlamentar há mais tempo do que o deputado paraibano tem de vida?

Eu sei a resposta.

Está no seu DNA. Na herança genética das famílias Motta-Wanderley, forjadas nas vicissitudes do Sertão paraibano.

Está, com certeza, na bravura do irrequieto Edvaldo Motta, seu avô, que construiu uma trajetória de vida marcada por muita coragem e lealdade, tantas vezes postos a prova nos mandatos de vereador, deputado estadual e federal.

Está, ainda, no espelhamento da avó, a prefeita de Patos Francisca Motta, mulher guerreira e igualmente corajosa, cinco vezes eleita deputada estadual. Carinhosamente tratada por Chica Motta pelos muitos que lhe querem bem, concilia a bravura com a solidariedade e sabe ser amiga dos amigos – a exemplo de como foi solidária comigo em tempos de pouca bonança.

A arvore genealógica de Hugo se ramifica para Nabor Wanderley, o avô que foi prefeito de Patos na década de 50.

E para o pai, Nabor Wanderley Filho - duas vezes prefeito da cidade, atualmente deputado estadual -, que da união com Ilana, única filha do casal Chica-Edvaldo Motta, trouxe ao mundo este jovem – herdeiro de três gerações políticas - que não teme grito e exige respeito.

Torço muito por Hugo.

Mas não queria estar na pele dele.

Primeiro porque comissões parlamentares de inquérito – por sua própria jurisprudência histórica – não inspiram crédito.

Segundo porque o conhecimento que tenho do Congresso Nacional me ensinou que o que é bom é disputado às tapas pelos caciques.

A CPI da Petrobrás caiu no colo de Hugo – por influência oculta do ministro Vital do Rego Filho – depois de uma lista de declinações.

Ninguém queria se molhar no lava-jato.

Jovem e impetuoso, destemido como mostrou ser para o grande público já no primeiro dia de instalação da CPI, Hugo Motta agarrou pelas unhas o que ninguém quis.

Mas se CPI sempre nos leva à pizzas insalubres, o que esperar de uma montada para escrutinar seus próprios pares – especialmente no momento em que o Congresso monta blindagem para se proteger das investigações em curso?

Diante deste quadro, dificilmente o jovem sertanejo consiga sair ileso desta sinuca de bico.E se o fizer, sairá com status de azarão.

Está porém em suas mãos – e em seu “pedigree” – a possibilidade de fazer história.

Daqui, sigo cruzando os dedos.

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