agosto 31, 2011

Nordeste terá mais doenças e gastos com saúde por causa das mudanças climáticas

Aquecimento global fará região sofrer com falta de água e doenças infecciosas

Os impactos das mudanças climáticas no Brasil tendem a ser mais dramáticos no Nordeste. Isso porque a região que já sofre com a escassez de água e, com a seca, verá esses cenários ficarem ainda piores, por causa do aumento da temperatura e da diminuição das chuvas na região, reflexos do aquecimento global.

Segundo o relatório Mudanças Climáticas, Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste, da Fiocruz, de 2008, a região do semiárido será fortemente afetada pela seca ao longo dos anos. E o resultado disso é, em primeira instância, a falta de água pela evaporação de rios e açudes, a destruição da produção agrícola e de subsistência, que levam, em última instância, `a desnutrição e `a fome.

Segundo o pesquisador Ulisses Confalonieri, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), um dos autores do estudo, os modelos climáticos preveem um agravamento da situação de sobrevivência da população dessa região, que tenderá a migrar para outros locais.

- Se projeta que vai se agravar a situação de sobrevivência do pequeno agricultor, que já é difícil em tempos de seca. No Nordeste as pessoas vivem do extrativismo.

A escassez de água também é a porta de entrada de doenças endêmicas, como a leishmaniose, que surgem em locais onde falta saneamento básico, explica Confalonieri.

Segundo o estudo, surgirão mais casos de desnutrição infantil no Maranhão e de mortalidade por diarreia em Alagoas, Sergipe e no próprio Maranhão.

Estima-se também a maior incidência de casos de esquistossomose na Bahia, de leishmaniose visceral (de origem intestinal) no Maranhão e no Ceará, de doença de Chagas em Pernambuco e de leptospirose no Ceará.

Com o aumento considerável de pessoas doentes, é estimado mais gastos do sistema de público de saúde na região. Só de idosos, que sempre são os que mais sofrem com climas extremos, é esperado um agravamento das doenças crônico-degenerativas. E como essa população estará maior, deverá contribuir com um aumento de R$ 1,43 bilhão nos gastos com saúde, que somarão R$ 4,35 bilhões até 2040.

É possível prevenir?

Como forma de tentar minimizar os efeitos do aquecimento global na região, o governo lançou um pacote de ações que visa a diminuição das emissões de gases de efeito estufa, segundo a diretora do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Karen Suassuna.

Entre elas, o encaminhamento de R$ 10 milhões para o semiárido para projetos que impeçam o desmatamento da caatinga e para implantação de tecnologias que ajudem no convívio com a seca, entre elas a criação de cisternas.

- Também estão em projeto linhas de investimento do setor privado de tecnologias para o semiárido, uma parceria com a caixa econômica para um fundo que visa implementar interfaces de manejo da região e de um programa de fomento de implantação de 1 milhão de cisternas para combater a seca.

O Ministério da Saúde também está criando um plano setorial, que visa a combater os impactos das mudanças climáticas, explica Guilherme Franco, diretor do departamento de vigilância em saúde ambiental do Ministério da Saúde.

- Mas ainda estamos em fase de coleta de dados.


R7

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