maio 29, 2011

Caos:Pacientes cardiácos entram na lista da morte com a desativação do centro cirúrgico do HU

Desde o começo deste ano, os pacientes paraibanos, inclusive crianças, que precisaram se submeter a cirurgias cardíacas, tiveram de procurar atendimento em outros Estados. Muitos desses pacientes continuam na espera, alguns talvez tenham morrido. Enquanto isso, no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), um bloco cirúrgico com equipamentos de última geração, destinado à realização de cirurgias cardiológicas, está fechado, sem utilidade, servindo, acredite, de depósito. Enquanto as salas cirúrgicas do HU estão desativadas, pacientes sofrem na lista de espera, que consequentemente se transformam em ‘lista da morte’. O mais grave nisso tudo é que a situação se repete em outros hospitais do Estado, onde a população precisa recorrer a cidades vizinhas em busca de atendimento.
O abandono do centro cirúrgico do Hospital Universitário de João Pessoa só foi descoberto oficialmente há duas semanas, durante inspeção realizada pelo Ministério Público Federal na Paraiba. Mas antes disso acontecer, muitos pacientes voltaram para casa sem esperanças, depois de receber a informação que o centro não estava mais realizando atendimento. Hospitais fechados, ou funcionando parcialmente, compõem a realidade da Paraíba. No Brejo, no Sertão ou no Litoral, a situação se repete. A falta de atendimento aflige a população paraibana, mesmo assim, não há previsão de melhorias. Apesar disso, muitos gestores preferem silenciar, ignorando a iminência de uma tragédia anunciada. Só no ano de 2009, segundo o Ministério da Saúde, 7.269 paraibanos morreram vítimas de problemas cardiovasculares.
O centro cirúrgico do HU foi inaugurado em novembro de 2009 e realizou, até o final do ano passado, aproximadamente 200 cirurgias através do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo era que o centro passasse a ser referência em atendimentos e urgência e emergência para problemas cardíacos, tumores cerebrais e doenças do sistema vascular periférico. No dia da inauguração foi dito que a unidade funcionaria 24 horas ininterruptamente. Foram investidos cerca de R$1,5 milhão para a compra de equipamentos e instalação do serviço de hemodinâmica e cardiopatia.
O superintendente do HU, João Batista da Silva, explicou que no final do mês de dezembro de 2010, recebeu o comunicado do Governo do Estado de que o contrato dos cerca de 130 funcionários prestadores não seriam renovados. “Ao saber disso, chamei a equipe e dispensei. A consequência foi suspender os serviços de cirurgia cardíaca e a internação na UTI coronariana”, declarou. Segundo João Batista, seria impossível manter o centro funcionando, diante da falta de pessoal.
Novas contratações de temporárias não podem ser feitas por dois motivos: o primeiro, conforme informou o superintendente, é a falta de recursos; o segundo, é a existência de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo HU e o procurador do Trabalho, Eduardo Varandas, que determina a não contratação com o intuito de forçar o governo federal a realizar concurso público. “Diante dessa situação, fica fácil entender por que as cirurgias deixaram de ser realizadas”, afirmou. “Mas logo que tivermos uma nova perspectiva, reabriremos o centro”, completou. Os pacientes que procuram atendimento são relocados para outras unidades hospitalares.
Para o médico Eurípedes Mendonça, da fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), manter o centro de cardiologia do HU fechado é um crime praticado contra a população. “É um absurdo um serviço de cirurgia cardíaca, com todos os equipamentos necessários, fechado... Alegam falta de credenciamento, mas na verdade é uma questão política”, afirmou. O centro de cardiologia do HU era o mais equipado e bem estruturado do Estado.
Uma das preocupações do CRM-PB é com os equipamentos do centro. “As máquinas já estão paradas há alguns meses e se continuarem sem uso, em pouco tempo vão enferrujar. É um típico exemplo de desperdício de dinheiro”, criticou Mendonça. “O local deveria, pelo menos, ser transformado em enfermaria ou ter qualquer outra utilidade, só não poderia continuar como está, tendo em vista a crise vivida pela Saúde no nosso Estado”, disse.
O procurador Duciran Farena, do Ministério Público Federal da Paraíba (MPF-PB), disse que era lastimável a situação no HU no início deste mês, durante vistoria. Segundo o procurador, o HU padece com o círculo vicioso. “A equipe de médicos não é contratada porque não há reforma do centro cirúrgico, a reforma não é feita porque o hospital não é credenciado, mas o credenciamento não é aceito porque não há reforma, e assim por diante. Há anos se discute o credenciamento do HU e do Arlinda Marques, sem solução”, afirmou.





Fonte: Élsion Silva com onorteonline

Nenhum comentário:

Postar um comentário