março 20, 2011

No Rio, Obama diz que Brasil é exemplo de democracia para mundo árabe




Segundo Obama, nos últimos meses, o mundo árabe tem sido palco de manifestações populares

O presidente americano, Barack Obama, afirmou neste domingo em discurso no Theatro Municipal, no Rio, que a transição feita pelo Brasil da ditadura para a democracia é um modelo para o mundo árabe, governado há décadas por líderes fortes mas que passa por um momento em que o povo exige mais liberdades. O líder americano disse ainda que deseja "fortalecer a amizade" dos EUA com o país.

Falando a uma plateia de mais de 2.000 pessoas, Obama disse que "a transição para a democracia no Brasil nos anos 1980 pode servir de exemplo às nações do Oriente Médio".

"Esse é o exemplo do Brasil, um país que mostra que a ditadura pode se transformar em uma vibrante democracia, um país que mostra que a democracia leva liberdade e oportunidades ao povo".

Segundo Obama, nos últimos meses, o mundo árabe tem sido palco de manifestações populares que pedem mais liberdade e democracia. "Em toda a região, nós vimos jovens se levantando. Uma nova geração exigindo o direito de decidir seu próprio futuro", disse.

O presidente americano citou a Líbia: "Temos visto o povo da Líbia assumir uma corajosa posição contra um regime determinado a brutalizar seus próprios cidadãos".

"Desde o começo, deixamos claro que a mudança que eles procuram deve ser feita por seu próprio povo. Mas como duas nações que tem lutado por muitas gerações para aperfeiçoar suas próprias democracias, os EUA e o Brasil sabem que o futuro do mundo árabe será determinado pelo seu povo."

"Ninguém sabe dizer ao certo como essa mudança irá acabar, mas eu sei que mudanças não são algo que deveríamos temer."

"Esse é o exemplo do Brasil. O Brasil, um país que mostra que uma ditadura pode se converter em uma vibrante democracia. O Brasil, um país que mostra que a democracia oferece liberdade e oportunidade às pessoas", afirmou.

Segundo Obama, o Brasil é "um país que mostra como o chamado a mudança que começa nas ruas pode transformar uma cidade, um país e o mundo".

FUTEBOL E JORGE BEN

O presidente americano iniciou sua fala falando em português: "Alô", "Cidade Maravilhosa" e "todo povo brasileiro" para conquistar a plateia.

Depois citou o clássico do Campeonato carioca Vasco e Botafogo deste domingo. Seus anfitriões no Rio --o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes-- são vascaínos. No entanto, Obama foi vaiado por parte da plateia e reconheceu que o assunto é muito sério no Brasil.

Depois, em meio a elogios ao Brasil, afirmou: "Como disse o cantor, o Brasil é um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza", em referência a Jorge Ben Jor.

Durante seu discurso, o presidente americano ainda afirmou que o Brasil emergiu de décadas de mau desempenho para se tornar uma economia poderosa que tem muitos valores em comum com os EUA.

De acordo com ele, uma antiga piada de que o Brasil seria sempre um "país do futuro" não é mais verdadeira.

"Para o povo do Brasil, o futuro chegou", afirmou, sendo seguido de calorosos aplausos da plateia.

Obama disse que Brasil e EUA tem uma cultura e uma história parecidas, incluindo suas lutas contra poderes coloniais e seus povos multiculturais.

"Nos tornamos colônias reclamadas por reinos distantes, mas rapidamente declaramos nossa independência. Acolhemos ondas de imigrantes em nossas costas, e eventualmente limpamos a mancha da escravidão de nossa terra."

PARCERIAS E JAPÃO

Como no dia anterior, Obama citou as diversas áreas em que Brasil e EUA são parceiros e que podem ser reforçadas. Isso inclui os setores de energia limpa, cooperação científica, tecnologia e falou em derrubar os obstáculos que estão impedindo o crescimento das relações comerciais bilaterais.

"Da África ao Haiti, estamos trabalhando lado a lado para combater a fome, a doença e a corrupção que podem apodrecer uma sociedade."

O presidente americano também comentou sobre a maior comunidade japonesa fora do Japão que vive em São Paulo para pregar ajuda do Brasil aos japoneses na sua hora de maior necessidade, uma referência ao terremoto seguido de tsunami registrado no último dia 11 que já deixou mais de 7.000 mortos no país asiático.

"Nos EUA, nós criamos um laço de mais de 60 anos com o Japão", disse. "O povo japonês é um dos nossos amigos mais próximos e estaremos lado a lado com o povo japonês para superar esse momento."

O discurso de Obama no Theatro Municipal estava previsto inicialmente para ser realizado na Cinelândia, que encerraria a agenda do mandatário na cidade. O local havia sido escolhido em detrimento de outras opções, como a praia de Copacabana, por questões de segurança. No entanto, o evento foi transferido na sexta-feira (18) para o interior do teatro.

Entre os mais de 2.000 convidados estavam grupos de mulheres e idosos de Santa Cruz e Bangu (bairros de classe média baixa da zona Oeste do Rio), que conduzem projetos sociais com apoio da Prefeitura e do governo do Estado.

Também integrava a plateia uma representação do Instituto Empreender, cujo objetivo é promover programas nas áreas de empreendedorismo, com acesso ao crédito e desenvolvimento de microempresas. O projeto é apoiado pela Usaid, agência norte-americana de assistência econômica e humanitária.

Na plateia, há ainda representantes do movimento negro e expoentes da cultura afro-brasileira, como os atores Lázaro Ramos, Taís Araújo, a ministra Luiza Bairros (Igualdade Racional) e o ativista, ex-político e intelectual Abdias do Nascimento, 97.

G1.

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