julho 24, 2010

Liberdade de expressão em xeque: em ano de eleição, três profissionais da imprensa da Paraíba já foram vítimas de agressão de políticos

O direito de manifestar livremente opiniões, idéias e pensamentos é o conceito do termo liberdade de expressão. A prática, no entanto, está sendo censurada na Paraíba. Em pleno ano eleitoral, a imprensa paraibana já tornou público pelo menos três agressões contra os profissionais de imprensa no Estado, sendo uma antes da campanha e as outras duas em pleno período eleitoral. Todos de autoria de políticos ou apadrinhados .




A primeira vitima foi à jornalista Simone Duarte, do portal PB Agora. No dia 12 de maio de 2010 a profissional foi hostilizada pelo assessor da vereadora de Campina Grande, Ivonete Ludgério (PSB), em pleno comitê de imprensa da Casa Felix Araújo por ter publicado uma matéria dando conta das constantes faltas da parlamentar.



O assessor, que é responsável pela imagem da socialista, se utilizou de ameaças e em tom alto e grosseiro coagiu a repórter em frente a outros colegas de imprensa para exigir retratação sobre matéria veiculada no portal e assinada pela repórter Simone Duarte, mesmo o portal já tendo se retratado e publicado o direito de resposta. A dupla só não chegou às vias de fato porque outros colegas protegeram a repórter.



Além da “censura” ter sido vista como uma opressão, também foi repudiada por ter se tratado de um homem querendo agredir uma mulher.



Em outro caso mais recente, registrado no dia 19 de julho, em pleno período de campanha eleitoral, o radialista Luiz Cláudio de Souza, que apresenta o programa “Show da Manhã” na rádio Caaporã FM, teve sua vida ameaçada pelo vereador Elcias Azevedo.



O político disse que só não tirava a vida do radialista porque ele estava acompanhado de amigos em comum.



A vitima estava trabalhando na coordenação da caravana da Coligação Paraíba Unida e logo após o evento foi ameaçada pelo vereador.



Luiz Cláudio afirma que ficou calado para não morrer, pois o vereador Elcias estava disposto a tirar sua vida e ficando mais uma vez frente a frente com ele, pondo a mão na cintura como se estivesse armado e repetiu: ‘Só não lhe derrubo aqui por causa de Davi, mas você está na minha mira. ’



Estarrecidos Luiz Cláudio e o amigo foram logo apoiados por populares que pediram calma ao vereador que se retirou do local, o radialista aproveitou para entrar no seu carro e se dirigir a sua residência em João Pessoa, mas um fato estranho ocorreu, o pneu do carro do radialista estourou e por pouco não caiu em um barranco, Luiz Cláudio não sabe dizer o que de fato ocorreu, mas teme que não possa ter sido apenas um acidente.



‘Só estou vivo graças a Deus e ao Davi, afirmo com toda convicção que tudo que me acontecer de agora por diante a culpa é do vereador Elcias. ’ Declarou Luiz Cláudio.



O caso mais recente e mais grave aconteceu nesta sexta-feira, 23 de julho, no município de Patos, localizado na região sertaneja do Estado. As agressões deixaram de ser verbais e passaram literalmente as vias de fato.



A vítima foi o jornalista Cícero Araújo, colunista do Jornal CORREIO e correspondente do Sistema Correio na região e o autor da agressão foi o vereador Sales Júnior (PRP). A ocorrência foi registrada na sede da STTrans do municipo. Cícero Araújo aguardava na ante-sala para ser chamado a entrar no gabinete do superintendente, Alexandre Nóbrega, quando o vereador e o pai avançaram para ser atendido primeiro. Além disso, jogaram a porta contra o jornalista.



O jornalista Cícero Araújo contou que, à saída dos dois do gabinete, dirigiu-se ao vereador para reclamar que poderia ter sofrido ferimentos se a porta o tivesse alcançado, o que não aconteceu porque uma secretária do órgão lhe puxou.



Quando comentou que se tivesse acontecido poderia abrir um processo contra, o vereador reagiu: "E por que você vai me processar? Me respeite seu bandido vagabundo. Ai ele e o pai dele covardemente me agridiram com socos", acrescentou Cícero Araújo.



O pai do vereador, Frandcisco Sales, apresenta outra versão para o episódio, segundo relato da correspndente Mônica Rodrigues, para o programa Correio Debate, da Rádio 98/FM (Rede Correio Sat).



O pai do vereador teria dito: "Quando vou saindo, Cícero está na porta e esfrega o dedo na minha cara. Eu tirei a mão dele e ele pegou uma cadeira e jogou em mim cortando o meu braço. Ele entrou em outra sala e eu entrei também e ele pegou outra cadeira para jogar em mim. Um rapaz entrou e me segurou pelas costas e Cícero por trás deu uma pesada na minhas cstas".



De acordo com a reportagem de Mônica Rodrigues, uma das secretárias da STRTrans, Mércia Gomes contou: "Quando o pai de Sales deu um murro em Cícero este caiu dentro da minha sala. Sales já pegou a cadeira para jogar em Cícero. A briga não foi maior porque as pessoas apartaram".



A secretária afirmou que quem provocou a briga foi o pai do vereador Sales Júnior.



Apesar das três agressões terem recebido a solidariedade da Associações de Imprensa locais e estaduais e também de políticos que pensam de outra maneira e reprimem a prática, o poder dos políticos acaba deixando os acusados em pune.



Para Cícero, alguma providencia de concreta só deverá ser tomada quando um profissional chegar a ser assassinado por alguém que se esconde atrás do chamado “foro privilegiado”. Isso, se realmente a sociedade tomar às ruas e exigir justiça, caso contrário será mais uma assassinato que passará despercebido pelo passar dos anos.



Confira a nota de repúdio publicada pela AISP (Associação de Imprensa do Sertão Paraibano)



A AISP repudia veementemente a ação brutal do vereador Sales Junior contra o jornalista do jornal "Correio da Paraiba" sucursal de Patos, Cícero Araújo, na manhã do dia vinte e três de julho.



Aproveitamos o momento para tornar público, que tem sido constante os desafetos de alguns vereadores da cidade de Patos contra jornalistas A Diretoria



Agressões geram repercussam negativa na imprensa nacional



Portal Imprensa e Comunique-se repercutem agressão verbal sofrida por repórter do portal PB Agora na Câmara Municipal de Campina



A agressão verbal sofrida pela reporter do portal PB Agora, Simone Duarte, gerou repercussão nacional. O portal Imprensa e o comunique-se publicaram, na tarde desta quarta-feira (12), a discussão entre a profissional de imprensa e o assessor parlamentar da vereadora Ivonete Ludgério (PSB)



Confira a matéria na integra veiculada pelo portal Imprensa







Assessor de vereadora e repórter discutem em Câmara Municipal da Paraíba



Por Mariane Zendron/Redação Portal IMPRENSA



Uma repórter do Portal PB Agora, da Paraíba, e o assessor de imprensa da vereadora Ivonete Ludgério (PSB), Almir Barbosa Bento, discutiram dentro da Câmara Municipal de Campina Grande, na tarde da última terça-feira (11).



O desentendimento começou quando Bento abordou a jornalista para reclamar de uma matéria publicada no PB Agora no mesmo dia, sobre as ausências frequentes da vereadora nas sessões ordinárias da Câmara. Segundo o assessor, o problema foi que o texto trazia muitos termos pejorativos, como gazeteira (mentirosa), para se referir à parlamentar.



A matéria também dizia que em uma das ausências, a vereadora alegou que teria uma reunião do partido, mas conforme a repórter apurou, a reunião não existia. O assessor afirma que a repórter apurou com pessoas que não sabiam da reunião. Também reclamou que não teve direito de resposta após a publicação da matéria.



O Portal IMPRENSA também entrevistou a repórter, Simone Duarte, que alegou que a resposta do assessor já está no portal como um dos comentários da matéria e que não foi publicada nenhuma mentira. "Venho observando de perto os vereadores há dois meses e sempre denuncio quando vejo algo errado. No caso da Ivonete, ela não apareceu mais do que três vezes na Câmara nesse período".



Bento, no entanto, afirma que Ivonete sempre justificou suas ausências e que essa quantidade de faltas dita pela jornalista não é verdade.



Sobre a discussão de terça-feira, o PB Agora publicou uma nota dizendo que a jornalista chegou a ser hostilizada pelo assessor. "(Almir) se utilizou de ameaças e em tom grosseiro coagiu a repórter em frente a outros colegas de imprensa para exigir retratação sobre matéria veiculada no portal e assinada pela repórter Simone Duarte".



Bento disse ainda que em nenhum momento hostilizou a jornalista e que os dois apenas discutiram. "Essa história já me causou muitos problemas e cheguei a ter meu emprego ameaçado por conta de toda essa repercussão".



Simone Duarte também garante que os dois se alteraram, mas disse que, por "não ter rabo preso com ninguém", vai continuar fiscalizando a rotina dos políticos de Campina Grande.



Márcia Dias



PB agora

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