maio 07, 2010

O sacrifício de Cicero


E – finalmente – o senador Cícero Lucena (presidente do diretório do PSDB na Paraíba ) anunciou seu gesto extremado, desistindo da pré-candidatura ao cargo de governador do Estado, já exercido por ele nos idos de 1993 a 1994, quando o titular do Palácio da Redenção era Ronaldo Cunha Lima (ambos, então filiados ao antigo PMDB comandado pelo ex-senador Humberto Lucena, já falecido).


Houve fraqueza do senador?

Cícero foi titubeante? Faltou firmeza? Ele pode ser culpado por não resistir à pressão política e psicológica vinda de todos os lados? O senador deveria manter-se candidato ao Governo do Estado, mesmo estando fadado a ser sabotado dentro do seu próprio ninho tucano? Valeria a pena obter pouquíssimos votos, desgastando assim seu futuro cacife eleitoral?

Ninguém agüentaria o bombardeio

Ele foi massacrado diariamente, ora pela cúpula nacional do ninho tucano, em Brasília-DF, ora pelos governantes de Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais, ora pela sua própria base de deputados federais e estaduais, prefeitos e vices, vereadores e lideranças regionais, comunitárias ou municipais.

Apoio de parentes e amigos

Ele ouviu a família (Lauremília, a esposa, os filhos Mercinho, Matheus e Janine, o sobrinho Fabiano e os irmãos Pedro Lindolfo, Paulo e Solon), além dos fiéis escudeiros Ruy Carneiro, Marcus Vinícius e Hervázio Bezerra, antes de resolver jogar a toalha em relação ao próximo pleito estadual.

Vários ombros para chorar

Qualquer que fosse a decisão tomada pelo ex-prefeito da Capital (de 1997 a 2004), pelo menos nessas figuras mais próximas de sua cozinha, freqüentadores da sua casa, presentes em sua vida doméstica, Cícero encontraria – como de fato encontrou – a solidariedade humana que tanto precisava, neste momento dificílimo de sua carreira pública.

Guerreiro solitário

Um capítulo à parte é desempenhado pelo deputado estadual João Gonçalves, talvez o mais cicerista de todos os parlamentares com assento na Casa de Epitácio Pessoa. Em nenhum instante ele titubeou diante da possibilidade de acontecer a renúncia do pré-candidato tucano, ao contrário de outros integrantes do seu próprio partido, que até aceitariam de bom grado uma vaguinha de vice na chapa encabeçada pelo arquiinimigo de ambos, o ex-prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB).

Repercussão vai até 2014

Se essa aparente fraqueza partidária de Cícero vai ser transformada em pobreza eleitoral, só saberemos dizer com certeza daqui a mais algum tempo, talvez até mais distante do que as urnas de outubro vindouro. Para não morrer de véspera, o senador tucano terá que anunciar, logo após o embate presidencial entre José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT), o lançamento de sua postulação a prefeito de João Pessoa.

De volta à prefeitura

Se não fizer isso, ele correrá o sério risco de padecer de inanição política, cedendo aos seus detratores e praticando uma espécie de suicídio eleitoral antecipado, porque depois do pleito municipal de 2012 (com derrota ou vitória nas urnas), haverá ainda a disputa pela reeleição como senador, ou não, em 2014.

Apontando os responsáveis

Muito emocionado, com a voz embargada ao usar a tribuna do Senado da República, Cícero fez clara menção à suposta traição política e falta de lealdade da parte do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB). Ele também detonou, nas entrelinhas do seu curto, poético e – até certo ponto – angustiante discurso, o “falso novo” representado por alguém que sempre lhe combateu, neste caso, referindo-se obviamente ao ex-prefeito socialista da Capital, Ricardo Coutinho.

Por Giovanni meireles do PB Agora

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