janeiro 16, 2010

Com medo de terremoto, moradores do Rio Grande do Norte dormem em barracas

O pavor após os tremores dos últimos sábado e segunda-feira fez com que moradores de Poço Branco, a 60km de Natal, um dos prováveis epicentros, armem barracas para dormir no quintal de casa, com medo que novos abalos os peguem de surpresa durante a madrugada.

O temor é tamanho que, em alguns casos, pelo menos três famílias se uniram para dormir juntas. O medo ficou ainda maior após as notícias sobre os terremotos no Haiti.

Uma das casas onde foram montadas as barracas é a da cabeleireira Reneuva Ferreira, 36 anos, que conta o susto que tomou em seu salão durante o abalo da segunda.

"Ouvi um barulho grande, como se algo estivesse vindo contra nós e as telhas todas tremeram. Na mesma hora eu sai correndo para a rua". Ela, que diz lembrar-se do tremor que ocorreu no ano de 1986, afirma que ficou completamente apavorada e por isso decidiu montar a estrutura em seu quintal. "Eu não consegui dormir durante toda aquela noite, então eu tive a ideia de erguer a barraca na terça".

Segundo ela, desde então, praticamente toda a família, excluindo apenas seu pai, tem dormido na barraca formada com estacas, tijolos para cobrir o chão e lonas para o teto.

Ela, seu marido, a filha criança e a mãe, juntamente com a família da irmã e do irmão já dormiram no local, usando seis colchões para acomodar nove pessoas ao todo.

"Só assim eu consigo dormir. Dentro de casa eu fico o tempo todo acordando, assustada". Rosineuva diz ainda que os sobrinhos ficaram ainda mais impressionados com os abalos depois de assistir os noticiários sobre os terremotos no Haiti. "Eles estão apavorados e não conseguem dormir depois disso".

A cabeleireira acredita, porém, que não haverá novos tremores e já pensa em retirar a barraca de seu quintal. "Vou esperar ainda uma semana, aí eu vou tirar. Parece que não vai haver mais abalos, mas isso é imprevisível".

Em alerta

A dona de casa Eva Vilma Benigno, 37, também tem uma barraca armada no quintal de sua casa, desde a terça-feira. Segundo ela, a ideia foi do marido, que também morava na cidade nos tremores de 1986.

A estrutura montada nos fundos da sua casa é feita com tijolos, formando uma parede e lonas cobrindo o teto. Ela dorme com o esposo e dois filhos adolescentes em camas improvisadas e vários colchonetes. Ou, pelo menos, tentam.

"Os meninos até conseguem dormir, mas meu marido não fica quieto. Se levanta e fica rondando a barraca a noite toda". Ela diz ter ficado também mais assustada depois dos tremores no Haiti. "Algumas paredes daqui de casa racharam e fico com muito medo".

Memória

Dois tremores foram sentidos por várias cidades potiguares, principalmente João Câmara, Taipu e Poço Branco, onde acredita-se terem surgido os abalados. O primeiro deles, ocorrido no sábado passado, pode ter atingido 3,0 pontos na escala Richter, enquanto que o da segunda-feira, mais forte, atingiu 4,2.

Do Diário de Natal

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