setembro 23, 2009

Vereadores criticam proposta de senador de fechar câmaras

Os vereadores da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) protestaram, na manhã desta quarta-feira (23), contra um recente pronunciamento do senador Cristóvão Buarque (PDT-DF) que defendeu o fechamento das câmaras municipais de todo o país, sendo substituídas por conselhos populares.

“Brasília, como sempre, querendo atropelar as atribuições dos municípios”, lamenta o vereador Tavinho Santos (PTB), que levou o assunto para a tribuna da Casa na sessão plenária desta quarta-feira e apresentou um ‘Voto de Repúdio’ ao senador.

Para Tavinho, o municipalismo e a democracia se fortalecem nas Câmaras Municipais, pois a população mora nas cidades. “O melhor seria o fechamento do Senado Federal, porque a instituição bicameral não tem dado certo em todo o mundo”, devolve Tavinho, completando: “Deveríamos ter apenas a Câmara Federal e não senadores, cuja maioria é de suplentes”.

O parlamentar lembra que o vereador é o político que está no dia-a-dia da população. “Este poder é que é o mais legítimo, embora não é reconhecido”, diz, ressaltando que no senado “se elege por oito anos e ficam por lá colocando dificuldades na produção legislativa”. E dispara: “O Senado hoje para mim é inoperante. Não serve para nada. É uma vergonha nacional”.

Tavinho Santos alertou para o pronunciamento do senador brasiliense como um sinal de atenção. “Se os vereadores não derem uma resposta ao senador antes, corre-se o risco desta onda se alastrar, pois os vereadores são procurados pelos senadores e deputados somente em época eleições”.

O posicionamento de Tavinho foi apoiado por todos os demais parlamentares, com algumas restrições por parte de alguns. O vereador Sérgio da Sac (PRP), por exemplo, disse que o senador foi muito infeliz, mas defendeu o Senado por ser uma representação democrática e igualitária a todos os estados, já que cada unidade da Federação tem direito a três senadores cada um, independente do tamanho ou do poderio econômico de cada estado.

O vereador Geraldo Amorim, do mesmo partido do senador que defende o fim das câmaras, o PDT, lembrou que “a figura do suplente de senador é uma excrescência da democracia brasileira”, concordando que o Brasil poderia até ficar sem o Senado, mas defendeu a imagem do senador Cristóvão Buarque.

Já o Pastor Edmílson (PRB) compara: “Nós, vereadores, temos uma legitimidade bem maior do que qualquer suplente de senador, que não foi eleito, que não recebeu votos da população”. Por outro lado, o vereador Zezinho Botafogo (PSB) lembrou que os deputados e senadores vão para Brasília e se esquecem de seus estados. “Só utilizam os vereadores para se aproximar da população. E quem paga por essa podridão no Senado somos nós, vereadores, cobrados pela população”.

O vereador Benílton Lucena (PT) disse que os vereadores “são os pára-choques da sociedade”. Ele ainda contra-ataca: “O senador quer é aparecer”. E a vereadora Sandra Marrocos (PSB) ressalta que a Câmara está mais perto das pessoas. “O Senador foi infeliz, mas não podemos retribuir o ataque pedindo o fechamento do Senado”.

O presidente da Câmara pesseonse, vereador Durval Ferreira (PP) disse que o senador Cristóvão Buarque não conhece o que representa um vereador, pois o senador nunca foi um vereador. “Os Senadores nunca vão na casa de ninguém... Eles não conhecem ninguém, diferente dos vereadores que estão próximos da população”, compara Durval.



Da Ascom da CMJP

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