fevereiro 12, 2009

Luiz Augusto Crispim recebe homenagem da APL


O escritor e jornalista Luiz Augusto Crispim, falecido em dezembro passado, receberá homenagem póstuma hoje, às 17h30, na sede da Academia Paraibana de Letras. A sessão solene é uma realização conjunta da APL, Conselho Estadual de Cultura (CEC), Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP) e da Academia de Letras e Artes do Nordeste - Núcleo Paraíba.

O presidente da APL, Juarez Farias, informou que aspectos das atividades intelectuais de Crispim serão expostos durante a sessão pelos acadêmicos Luiz Gonzaga Rodrigues, José Jackson de Carvalho, Hildeberto Barbosa Filho e Ângela Bezerra de Castro. Em nome do IHGP e da Associação Paraibana de Imprensa (API), falarão, respectivamente, o historiador Luiz Hugo Guimarães, e o jornalista Abelardo Jurema Filho.

A sessão será encerrada com o lançamento do livro “A Pensão da Paz Dourada”, de Luiz Augusto Crispim, com ilustrações de Flávio Tavares, e a declaração oficial de vacância da Cadeira 3, que era ocupada pelo falecido cronista do “Correio da Paraíba”. Crispim também ocupava a Cadera 9 do IGHP. Na APL, ele foi presidente em dois mandatos e atuava como vice nos últimos anos.

Antes da luta contra o câncer, Crispim vinha se dedicando ao curso de Direito na UFPB, no qual era professor, e ao escritório que tinha com seu filho Luiz Augusto.

A filha de Luiz Augusto Crispim, a psicanalista Teresa Crispim, disse que sua palavra durante a sessão solene de hoje será mais um agradecimento à homenagem que os amigos estão prestando. Ela agradecerá ao sofrimento compartilhado com todos. “Todos sentem muita falta de painho. Ele era uma pessoa de muitos amigos e deixou uma lacuna muito grande”, declarou. Teresa adiantou que compartilhará um episódio que fez ela e sua família entenderem porque Deus o havia deixado passar estes últimos seis meses em casa.

Durante a homenagem póstuma, o professor José Jackson de Carvalho destacará o filósofo que Crispim foi. Jackson titulou seu discurso como: “Luiz Augusto da Franca Crispim – um filósofo da nossa terra e do nosso tempo”. Ele contou que conversava bastante com Crispim sobre uns textos do livro de Ética que morreu sem terminar. São textos que foram lidos e discutidos em duas ocasiões na Academia Paraibana de Filosofia.

Segundo Jackson, Crispim tinha uma visão lúcida e atual do que é Filosofia. Entendia a Filosofia como uma atitude intelectual autônoma, crítica e reflexiva sobre o que é a realidade. Ou seja, sobre o mundo, a sociedade, a História, o Direito e sobre si mesmo. Jackson também destacará a percepção apropriada que Crispim tinha da relação estreita entre Filosofia e Literatura. O cronista fez um paralelo entre a maiêutica de Sócrates e a estética literária de Dostoievski. Assim como o primeiro usava o confronto de ideias para chegar à verdade, o segundo usava os diferentes discursos dos personagens para construir sua estética.

Jackson lembrou que Crispim lia em francês e tinha intimidade com a obra do grupo de filósofos franceses que esteve em evidência de 1935 a 1970. Ele disse que é de pensadores como Albert Camus, Andre Gide, André Malraux, Jean-Paul Sartre e Geoges Bernanos que emana a fonte da intelectualidade de Crispim. Para Jackson, Crispim era um filósofo Socrático, no sentido de que fez da Imprensa, do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba, da Universidade e de todos os locais em que passou sua Ágora. “Crispim nunca se recusou a escrever um prefácio ou uma orelha para qualquer jovem escritor que lhe pedisse. Era um incentivador da juventude intelectual da Paraíba”, declarou Jackson.

A escritora Ângela Bezerra de Castro vai destacar o Crispim ficcionista. Ela explicou que será mais um depoimento do que uma análise. Ela identificou que Crispim estabeleceu sua ficção narrativa a partir das crônicas e comentará o livro que deixou pronto, “O memorial da pensão da paz dourada”, que será lançado durante a sessão.

Ângela abordará o primeiro romance que Crispim escreveu, datado de 1986 e que tinha duas sugestões de título, “As chaves do abismo” ou “Os senhores da terra”, mas que nunca foi lançado.

fonte portal correio

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