fevereiro 11, 2009

Em clima de campanha, Aécio Neves promete viajar pelo Brasil; NE é ponto de partida


O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), esteve em Brasília nesta quarta-feira, 11, onde manteve encontro com várias lideranças políticas de vários partidos. Após encontro com o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), do Senado, José Sarney (PMDB) e do PSDB, Sergio Guerra, Neves, prometeu viajar pelo Brasil a partir de março e disse que vai começar pelo Nordeste.

De acordo com o governador mineiro, ele tem recebido convite de vários governadores para visitar estados. “Eu digo que tenho tido convites de vários estados brasileiros. Pretendo, já a partir de março, não estou ainda fixando a agenda, mas a intenção é a partir de março fazer algumas viagens, principalmente pela região Nordeste do Brasil, pelo simbolismo do Nordeste. Minas é parte do Nordeste”, disse.

Neves reafirmou a intenção de convencer o PSDB a antecipar as previas que escolheram o candidato do partido a presidência da República. “Olha, é preciso que se diga através de qual mecanismo se anteciparia esta escolha. Eu tenho reiterado a minha posição e vou voltar a fazer isso com as lideranças principais do PSDB de que era muito importante que nós regulamentássemos as prévias partidárias para que essa regulamentação ocorresse até o final do mês de março, para que nós tivéssemos essas prévias realizadas no final deste ano ou no máximo no primeiro mês do próximo ano”, declarou.

Confira entrevista de Aécio Neves em Brasília:

O PSDB pode antecipar a escolha do candidato à Presidência?

Olha, é preciso que se diga através de qual mecanismo se anteciparia esta escolha. Na verdade, o que eu venho propondo é uma antecipação porque a escolha formal de uma candidatura, para qualquer cargo, se dá no período das convenções, portanto, a partir do final de junho do ano da eleição. Eu tenho reiterado a minha posição e vou voltar a fazer isso com as lideranças principais do PSDB de que era muito importante que nós regulamentássemos as prévias partidárias para que essa regulamentação ocorresse até o final do mês de março, para que nós tivéssemos essas prévias realizadas no final deste ano ou no máximo no primeiro mês do próximo ano, o que seria uma antecipação. Se houver uma outra solução tão democrática quanto esta, que possibilite uma antecipação ainda maior, eu estou pronto para ouvi-la.

Nessas conversas com o presidente Temer e o Sarney, o senhor sentiu espaço para uma aliança do PSDB e o PMDB em 2010?

Eu reconheço que o PMDB tem hoje uma proximidade grande com o governo do presidente Lula até porque participa desse governo. E acredito que o PMDB será leal ao governo do presidente Lula até o seu final. Mas quando nós falamos, não apenas de uma eleição em 2010, mas de um projeto de futuro para o Brasil a partir de 2010, eu acho muito difícil que o PSDB e o PMDB não estejam juntos. Existem inúmeras afinidades entre nós. Se essa proximidade puder se dar já no processo eleitoral, e nós do PSDB devemos trabalhar para isso, tanto melhor. Mas é natural que essa proximidade se dê pelos próximos anos. A conversa que eu, pessoalmente, tenho, e outros companheiros do PSDB, mas eu pessoalmente tenho com o PMDB, é uma conversa extremamente fácil, é uma conversa entre companheiros. Único partido ao qual pertenci antes de construirmos o PSDB foi o PMDB. Tanto com o presidente Temer, com o líder Henrique, com outras lideranças do PMDB com quem eu conversei, com o presidente Sarney, é uma conversa extremamente fácil e eu gostaria muito de poder ajudar, vamos chamar, no reencontro do PSDB com o PMDB, unir outras pontas políticas que já estão próximas a nós como os Democratas, como o PPS, para a construção de um grande novo projeto para o país. Um projeto otimista, um projeto que priorize a qualidade da gestão pública, que seja mais ousado no campo político na viabilização das reformas, que estabeleça novas políticas de desenvolvimento regional, mais claras, e que impeça a continuidade daquela guerra fiscal. Enfim, existe uma nova e intensa agenda a ser discutida e acho que, no momento em que o PSDB apresentar os temas da sua agenda para o Brasil pós-2010, é que nós vamos poderá agregar outras forças políticas. Eu não acredito em alianças que vem apenas em torno de pessoas, porque elas são circunstanciais, são por isso mesmo frágeis. As alianças consistentes são aquelas que se dão a partir de um projeto. E cabe ao PSDB como ator político importante, como um partido que tem um projeto nacional para pós-2010, apresentar as suas idéias e as prévias seriam mais um momento importante para a discussão dessas idéias e, a partir daí, poderíamos aglutinar outras forças políticas que, eventualmente, estejam até, hoje, aliadas ao governo do presidente Lula.

O presidente Lula criticou as políticas sociais do governador Serra, mas ele tratou o senhor a pão-de-ló. Na prática, o senhor é a menina dos olhos do presidente?

Eu tenho com o presidente Lula uma ótima relação. Uma relação que se construiu anteriormente a ele chegar à Presidência da República e eu ao Governo do Estado. Por isso, ela é sólida e muito respeitosa. Atuamos em campos opostos, mas nem por isso, eu vejo apenas defeitos no presidente Lula. Eu repito sempre que não faço política apenas elogiando os meus aliados e criticando os meus adversários. Eu defendo uma tese, pelo menos tenho muita convicção em relação a ela, que o período Fernando Henrique e Lula será lido lá na frente como um período de continuidade na vida pública brasileira. Com estabilidade da economia, com internacionalização da economia brasileira, com a sua modernização, com as privatizações que ocorreram, com o estabelecimento dos mecanismos macroeconômicos de controle interno. E no governo do presidente Lula houve o avanço dos programas sociais que haviam sido iniciados também no governo do presidente Fernando Henrique e um momento positivo da economia internacional durante seis anos, o que propiciou que o Brasil tivesse um grande crescimento. Agora, o que nós temos que discutir não quem é o melhor, se é o PSDB ou PT, quem fez mais pelo Brasil, PSDB ou PT, posso até achar que nós fizemos mais, mas isso não é essencial. O fundamental é nós sabermos o que vamos fazer pelo Brasil pós-Lula. É essa a discussão, é esse o debate que eu quero trazer para dentro do PSDB, sem ofensas ao presidente, mas com restrições, por exemplo, à compreensão de gestão pública, ao aumento, a meu ver, exagerado dos gastos correntes, que agora em tempo de crise vai impactar negativamente nos investimentos. Enfim, o que eu quero é que o Brasil viva uma discussão madura, até porque amadurecemos para essa discussão, sem personalismos. Possamos construir um projeto para pós-2010. O Brasil está na porta, está prestes a ingressar no rol das nações mais influentes do mundo, tanto do ponto de vista econômico, quanto do ponto de vista político, mas para isso é preciso que amadureçamos, que façamos a reforma política, enfrentemos a reforma tributária e construamos uma nova e otimista agenda para o Brasil.

O senhor não se sente emparedado, dentro do partido, pelo grupo do governador Serra?

Eu não vejo isso. Acho que é uma leitura, sobretudo de fora, um pouco distante da realidade interna do PSDB. O PSDB é um partido que nasceu em grande parte pela força das lideranças de São Paulo. Nós falamos de Montoro, de Covas, do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso, do próprio governador José Serra, dentre outras lideranças. Mas o PSDB, ao longo do tempo, se fortaleceu e é hoje um partido nacional. A instância paulista é muito importante hoje e será no futuro do partido. Mas o PSDB não será jamais um partido regional, é um partido nacional, e por isso tem que apresentar propostas novas que atendam ao Brasil como um todo nas suas imensas diversidades. Eu me sinto muito confortável para esse debate, desde que tenha espaço para fazê-lo. E o espaço que busco é o das prévias partidárias como instrumento de mobilização das bases partidárias e de construção daquilo que eu quero chamar a partir de agora do novo PSDB. O PSDB não com os olhos no retrovisor. Não o PSDB com ódios, não o PSDB do radicalismo que nada constrói. Eu quero ajudar a construir um novo PSDB, um PSDB que olhe para o futuro, que enfrente as reformas e que construa no Brasil um ambiente não beligerante, ao contrário, um ambiente de harmonia, um ambiente que eu poderia chamar de uma nova concertação, para que nós possamos avançar mais rapidamente do que temos avançado até aqui.

Mas essa crise na liderança do PSDB de certa forma foi atribuída ao senhor. Os "serristas" dizem que a culpa é sua, e os "aecistas" dizem que é culpa da falta de entendimento. Quando vai haver entendimento primeiro no PSDB e depois o PSDB lançar candidato à Presidência da República?

Quiséramos nós que esses fossem os nossos problemas. Não há crise alguma. O líder José Aníbal é o líder eleito pela maioria. Aqueles que discordaram tiveram oportunidade de expressar as razões da sua discordância, e devemos respeitá-las, mas a questão está resolvida, o PSDB está absolutamente unido, e aí eu concordo com o presidente Fernando Henrique, com o que ele tem dito, o PSDB precisa reorganizar-se para fazer uma oposição firme, mas responsável. E acho que esse é o objetivo, inclusive, da conversa que alguns parlamentares tiveram com o presidente. No PSDB essa questão, a meu ver, vai estar, porque deve estar, essa é a nossa responsabilidade, está superada. O PSDB, no Senado e na Câmara, deve exercer o papel que lhe delegou a população brasileira, que é de fazer oposição ao governo federal. Não uma oposição irracional. Uma oposição impatriótica. Uma oposição responsável, mas uma oposição firme e fiscalizadora.

Quando o senhor fala com o governador José Serra sobre prévias, o senhor sente disposição dele também, ou é uma posição mais do senhor?

Olha, acho que não é mais minha. Eu recentemente li uma reportagem numa revista semanal, que fez uma consulta que confesso não fiz ainda, em que mais de 80% dos diretórios, se não me engano, cerca de 90% dos diretórios do PSDB consultados são a favor das prévias. É muito difícil você ser contra as prévias. Do governador José Serra nunca ouvi uma palavra contrária às prévias. Até ouvi uma, em uma de suas visitas a Belo Horizonte, de simpatia a elas. Mas eu respeito aqueles que têm posição divergente. Até porque é algo novo, inusitado. Ouço alguns argumentos contrários às prévias, onde dizem que essa não é uma tradição do PSDB. Eu reconheço, não é uma tradição do PSDB. A tradição do PSDB, eu me incluo entre aqueles participaram dessas escolhas, nos levou nas duas últimas eleições a duas derrotas consecutivas. Quem sabe não é hora de mudarmos essa tradição, permitindo que o partido se sinta participante das decisões maiores do PSDB, o partido na sua base, e que sabe nós possamos fazer, aí sim, renascer o novo PSDB, que surge realmente das ruas, de todas as regiões do Brasil ou todas as suas diferenças.

Se as prévias fossem essa semana, o senhor acha que venceria o canditato José Serra?

Não tenho como fazer essa avaliação.


Hoje o senhor recebeu afagos de todas as legendas.

O Parlamento é uma Casa diferenciada de todas outras casas políticas. Aqui, você constrói relações que ultrapassam os limites partidários, as convicções ideológicas, as instâncias regionais. Fui parlamentar por 16 anos, a minha essência é parlamentar. Eu estive nesta Casa, eu ocupei aqui as mais variadas posições e mantenho essas minhas boas relações. Acho isso positivo, porque vejo que na política, quando se somam as forças por mais distantes que elas possam estar em determinado momento, é o caminho curto.
Eu acho que o Brasil, sobretudo em razão de uma crise que ainda não chegou, ao meu ver, em seu ponto mais agudo, infelizmente pra todos nós – é o que colho dos resultados do meu estado, o que colho das análises que faço com diversos economistas – quem sabe o Brasil não precisará viver um momento de maior convergência, com uma agenda única, pelo menos, conduzida pela maioria das forças políticas. Eu quero ser mais um entre tantos interlocutores dessas forças políticas. Mas hoje, o meu esforço maior é para que o PSDB não apenas abre, mas escancare as suas decisões, democratize as suas decisões, consulte seus filiados e renasça não apenas como um partido democrático no discurso, mas democrático também na forma de agir.

O senhor vai viajar pelo país?

Eu digo que tenho tido convites de vários estados brasileiros. Pretendo, já a partir de março, não estou ainda fixando a agenda, mas a intenção é a partir de março fazer algumas viagens, principalmente pela região Nordeste do Brasil, pelo simbolismo do Nordeste. Minas é parte do Nordeste. Nós temos 150 municípios do semi-árido mineiro que vivem a mesma situação, as mesmas angústias e a mesma esperança que vive o Nordeste. Inclusive, convidei os governadores do Nordeste, o presidente da República para, no início do mês de abril, estarem em Minas Gerais, na próxima reunião dos governadores da Sudene, de modo que há uma grande identidade na busca de soluções para o país, não com objetivo político, mas pura e simplesmente para mostrar que nós precisamos somar forças para a definição de novas políticas regionais para o país. Eu pretendo, a partir dos convites que eu tenho, fazer visitas ao Nordeste e a outras regiões do país.

O senhor vai fazer que nem a Dilma, vai viajar pelo país?

Não conheço a agenda da ministra Dilma, mas acho saudável para todos homens públicos viajarem pelo país. É saudável viajar pelo país. Nós não podemos – nós do PSDB – adormecer em berço esplêndido, achando que porque os nossos candidatos correm nas últimas pesquisas – o governador Serra quanto eu – aparecem na frente nas pesquisas eleitorais, nós já vencemos as eleições. Isso pode ser uma grande ilusão, e no futuro, uma grande decepção.
Vamos ter a humildade de discutir com o Brasil quais as propostas que o Brasil quer, quais os passos que nós ainda não demos e que precisamos dar. Vamos buscar, a partir da definição dessas propostas a aliança mais ampla possível para consolidá-las, para viabilizá-las. Vou fazer isso sem açodamento, com absoluta tranqüilidade, com respeito a meus companheiros do partido e àqueles que disputarão conosco, porque eu acho que nós amadurecemos tanto na vida pública brasileira que não temos o direito de transformar a própria disputa eleitoral, seja numa disputa apenas entre partidos, numa disputa de vaidades. Vamos disputar projeto. E, o que eu quero, é ajudar o PSDB a construir um grande e novo projeto para o país.
Se o candidato escolhido for o governador José Serra, pelos instrumentos democráticos do partido, a candidatura estará em belíssimas mãos, ele tem todas as credencias para ser um extraordinário candidato, mas é preciso que seja o candidato de todos nós do PSDB.

Como foi a conversa com os peemedebistas hoje?

Eu tenho tido conversas com os peemedebistas sim. Nós temos falado do futuro sim. Todos nós sabemos das nossas limitações. Eu vejo com clareza que o PMDB hoje está muito próximo do governo federal, ocupa cargos de relevo no governo federal, mas o PMDB é um partido que pensa o país, hoje preside as duas Casas do Congresso Nacional e é natural que tenha interlocução conosco. Eu vejo sim como uma possibilidade a ser trabalhada por todos os tucanos, a possibilidade de o PSDB e o PMDB estarem juntos no Brasil pós-2010.



fonte wscom

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