Marcondes Gadelha se reúne com presidente paraguaio e debate dívida com BNDES

O deputado federal Marcondes Gadelha chefia uma delegação de seis parlamentares que embarcaram na manhã desta quinta-feira, 4, para uma viagem de cinco dias ao Paraguai e Bolívia. Na pauta da viagem, a atual crise com o Equador gerada pelo não pagamento de uma dívida com o BNDES.

Marcondes Gadelha, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, explicou que o principal objetivo da viagem "é conhecer a posição do Paraguai com relação ao problema gerado pelo Equador". O parlamentar será recebido na tarde de hoje pelo presidente Fernando Lugo. "Além da suspensão do contrato com o BNDES também discutiremos a questão do tratado de Itaipu e a situação dos 'brasiguaios', que são brasileiros que vivem em solo paraguaio, com problemas quanto a posse de terras naquele país".

Para o deputado, é fundamental que o Brasil tome medidas rápidas para impedir que outros países tomem atitudes como a do Equador. "O Brasil tem agido, nesse caso especificamente, com parcimônia, mas precisamos blindar o país e garantir a segurança do nosso dinheiro emprestado aos vizinhos sul-americanos". O montante investido em outros países passa dos 3 bilhões de dólares. A dívida questionada pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, passa dos 300 milhões de dólares.

"Rafael Correa, independente da justificativa, rompeu com o princípio basilar das relações internacionais, o contratualismo" salienta Marcondes. Ele complementa dizendo que "cada acordo, tratado ou convenção é precedido de um contrato assinado. Se qualquer um desses deixa de ser cumprido, todos os outros estão prejudicados".

A principal preocupação do deputado paraibano é com o que chamou de 'situação inusitada' referindo-se ao movimento, liderado pelo presidente boliviano Evo Morales, que prega o não pagamento das dívidas com o Brasil. "A Alternativa Bolivariana para a América do Sul reúne 6 países e, curiosamente, o comandante do grupo não tem dívidas com o nosso país". Esse movimento será tema de uma conversa de Marcondes Gadelha com o vice-presidente boliviano e com o presidente do congresso da Bolívia.

"O Brasil sempre ocupou posição de destaque na América do Sul, mas isso não foi uma imposição, trata-se de uma coisa natural". A comunidade internacional enxerga no Brasil, como maior potência no continente, a posição de interlocutor e líder da região. "Acredito que alguns países estejam analisando essa posição de maneira equivocada e esse é o motivo dos recentes problemas. Iremos reforçar a condição de parceiro do Brasil de todos os países sul-americanos".

Marcondes e a delegação retornam ao Brasil na próxima segunda-feira, 8 de dezembro. "Deveremos nos reunir com os membros da Comissão de Relações Exteriores para um relato da viagem já na terça-feira. De antemão acredito no sucesso das negociações, até mesmo pela tradição diplomática do Brasil", finalizou Marcondes.

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